domingo, 13 de agosto de 2017

Nobre ou burguês? Escolha: pagar imposto com seu sangue ou com mercadorias?

Nobre cavaleiro medieval
Nobre cavaleiro medieval
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A imagem representa um nobre.

Alguém diria:

“Que diferença! Como é mais agradável ser este nobre!

“Olha como ele é bonitão, como ele está bem armado, como ele cerra de cima!

“Que majestade que tem esse homem! Eu gostaria de ser mais esse homem do que um burguês”.

A resposta é imediata:

“Meu caro, tem bom gosto! Mas, antes de optar, pense um pouco. Os nobres eram os guerreiros da sociedade. A Idade Média não tinha serviço militar obrigatório.

“Só quando a cidade ou a região era atacada que os habitantes da cidade deviam defendê-la. Se o inimigo fugisse, acabava a guerra para eles; se o inimigo tomasse a cidade, também os habitantes desta ficavam lá. O inimigo ia embora e eles ficavam na paz.

“Mas o nobre, não. O nobre tinha obrigação de defender o país. E quando o rei convocava para a guerra, o nobre tinha que ir, pagando de seu bolso os soldados que ele levava.

“O nobre era a classe militar – que derramava seu sangue em todos os campos de batalha da Europa.

Burguês medieval no inverno, col. Lewis E M 011-19
Burguês medieval no inverno, col. Lewis E M 011-19
“E como o sangue, mais do que uma mercadoria – mas, a ser comparado a uma mercadoria, é a mais alta das mercadorias --, ele entregava seu sangue pela pátria. Era a primeira classe social, era a classe dos sacrificados.

“Era a classe, portanto, também dos que tinham poder, dos que eram cercados de admiração e de respeito, porque eram o muro vivo da nacionalidade”.

Agora: imagine se se oferecesse aos indivíduos de hoje esta escolha:

“Vocês vão ser nobres, mas quando houver guerra, é só por cima de vocês. Nós não vamos para a guerra”. - O leitor acha que haveria muitos nobres hoje?

Quantos queriam ser nobres?

Santo Hermenegildo, Francisco de Zurbarán
Santo Hermenegildo, Francisco de Zurbarán
Quantos dos que hoje usam o título de nobres queriam continuar nobres com a condição de ir obrigatoriamente para a guerra?

Não seriam muitos.

Agora, por quê?

Porque a tarefa da guerra era dura e o nobre medieval era um esplêndido batalhador.

Então, quando dizem que os nobres sugavam o povo com impostos, perguntem isso: se eles queriam ser nobres a esse preço, e muitos vão ficar muito embaraçados.

A imagem ao lado é de um guerreiro medieval. É pintado por um pintor de um pouco depois da Idade Média, o grande pintor Zurbarán, e representa um príncipe espanhol Santo Hermenegildo (564–585), filho do rei visigodo Leovigildo.

O pintor o apresenta com suas insígnias de príncipe e com a arma de guerra usada em seu martírio, pois ele recusou aceitar a heresia ariana dominante em sua régia família.

O quadro representa muito bem a estampa de um nobre guerreiro medieval e sua disposição continuada para a guerra e para a morte pelo bem do país e da Igreja.

Junto com São Fernando III, Rei de Castela, é o santo patrono da monarquia espanhola.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 22.04.73. Sem revisão do autor.)



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domingo, 6 de agosto de 2017

Imperador Carlos Magno: nome que ecoa pelos séculos!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O que é mais admirável em Carlos Magno: o homem de piedade ou o guerreiro? O diplomata ou o organizador do Império? O restaurador da cultura ou o fundador de uma dinastia?

Sinto mal-estar diante da pergunta. Não porque ela não tenha sentido — pode-se fazer tal pergunta, ela tem razão de ser —, mas o modo como ela é feita tende a omitir o mais importante: todo o conjunto.

A questão está mal formulada, porque essas qualidades admiráveis não se excluem. Elas devem ser consideradas concretamente em um homem, e não abstratamente.

Ou seja, no Imperador do Sacro Império, tais qualidades formam um todo que o representa. Uma totalidade que fez com que os dois nomes “Carlos” e “Magno” adquirissem som de prata e de bronze, que ecoa pelos séculos.

Esse é a característica própria de Carlos Magno, que é muito maior do que a soma daquelas qualidades.

Considerando o unum de um homem, podemos melhor compreender como as várias qualidades resultam, de fato, numa beleza maior, pois o conjunto é mais belo que as partes. Mas isto, na medida em que as qualidades isoladas forem muito boas.

Exemplo: um vitral em que cada pedacinho de vidro de má qualidade reflete mediocremente a luz, deixando-a transparecer de forma embaçada e em cores indefinidas, dá um conjunto inexpressivo num vitral ordinário.

É preciso que cada vidrinho seja de muito boa qualidade para que o conjunto fique extraordinariamente lindo.

A matéria-prima tem de ser excelente para que o conjunto seja ainda melhor.

Carlos Magno é um exemplo estupendo desse princípio!

Carlos Magno ((742-814), foi Rei dos francos de 768 a 814, dos lombardos e Imperador do Ocidente de 800 a 814 — coroado em Roma pelo Papa Leão III na noite de Natal do ano 800. Considerado protótipo de Imperador cristão, lançou as bases da Cristandade medieval.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 26 de outubro de 1980. Sem revisão do autor.




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domingo, 30 de julho de 2017

Como passar do caos à Civilização. A obra beneditina

São Bento
Luis Dufaur
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No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais.

No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia.

Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis.

Até inícios do século XIV os beneditinos tinham dado à Igreja 24 Papas, 200 cardeais, 7.000 arcebispos, 15.000 bispos e 1.500 santos canonizados. Em seu auge, a Ordem Beneditina reuniu 37.000 mosteiros.

E não é uma questão apenas de números.

A Ordem era tão admirada, que nela foram concluir seus dias 24 imperadores, 10 imperatrizes, 42 reis e 15 rainhas.

Essa colossal rede monástica explica a transformação do caos que existia no início da Idade Média, na civilização por excelência, a despeito de invasões e guerras.

Quando os gregos sofreram a invasão dos dórios no século XII a.C., recaíram durante três séculos no analfabetismo.

 copista medieval
O engajamento dos monges medievais com a leitura, escrita e educação evitou esse terrível destino aos europeus, após a catástrofe da queda do Império Romano do Ocidente.

Não menos devastadoras foram as invasões posteriores de vikings, saxões, magiares ou maometanos.

Mas a determinação inabalável de bispos e monges salvou a Europa de um segundo colapso.

De acordo com o historiador malês Cristopher Dawson, as hordas saquearam mosteiros e queimaram bibliotecas, mas os monges impediram que a luz do conhecimento fosse extinta.

Alguns mosteiros ficaram célebres pelo domínio de certos ramos do saber.

Os monges de Saint-Bénigne em Dijon, na França, davam aulas de medicina.

Universidade de Salamanca
Os do mosteiro de Saint-Gall mantinham uma escola de pintura e gravação.

Em conventos alemães podiam-se assistir aulas em grego, hebreu e árabe.

Os monges tinham devoção pelos livros e embelezavam os manuscritos, especialmente as Escrituras, com artísticas iluminuras.

São Bento Biscop, fundador do mosteiro de Wearmouth (Inglaterra), mandava trazer livros de toda parte.

São Maïeul, abade de Cluny (na França), viajava sempre com um livro à mão. São Hugo de Lincoln, prior de Witham, primeira cartuxa na Inglaterra, explicou: 
"Nossos livros são nossa delícia e nossa riqueza em tempos de paz, nossas armas ofensivas e defensivas em tempo de guerra, nosso alimento quando temos fome, e nosso medicamento quando estamos doentes".

Vídeo: a Igreja e as origens do Direito Internacional







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domingo, 23 de julho de 2017

A Igreja medieval glorificou a santidade da família,
a caridade, a vida e a Moral

Luis Dufaur
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As religiões pagãs demonstraram - e demonstram ainda - um espantoso menosprezo pela vida. O prof. Thomas Woods da alguns exemplos no vídeo embaixo.

A Igreja Católica recolocou a santidade da família - fonte da vida -, da vida e da Moral no ponto central rodeado de respeito e veneração.

W. E. H. Lecky, citado por Woods, destaca que nem na prática nem na teoria a caridade ocupou na Antiguidade uma posição comparável à que teve no Cristianismo.

O historiador da medicina Fielding Garrison mostra que antes de Cristo "a atitude face à doença e à desgraça não era de compaixão. O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja”.

Os cristãos causavam admiração pela coragem com que atendiam os agonizantes e enterravam os mortos.

Os pagãos abandonavam em ruas e estradas os parentes e melhores amigos doentes, semi-mortos, ou mortos sem enterrar.

Por toda parte, Santos e instituições eclesiásticas trabalharam incessantemente para reverter essa sinistra situação.

O próprio Santo Agostinho deu exemplos eminentes no fim do império romano: fundou uma hospedaria para peregrinos, resgatou escravos, deu roupa aos pobres.

O grande pregador da Corte de Constantinopla, São João Crisóstomo, fundou hospitais na capital do Império de Oriente. São Cipriano e Santo Efrém organizaram os auxílios durante epidemias e fomes.

Os mosteiros masculinos e femininos estiveram na ponta de lança da restauração do valor da vida.

O rei da França São Luís IX dizia que os mosteiros eram o "patrimônio dos pobres".

Eles davam diariamente esmolas aos carentes. Por vezes, míseros seres humanos passavam a vida dependendo da caridade monástica ou episcopal.

Os religiosos também distribuíam alimentos aos pobres em sufrágio da alma de um religioso falecido. Isto era feito durante trinta dias no caso do falecimento de um simples monge, e durante um ano no caso de um abade. E, às vezes, perpetuamente.


Vídeo: A Igreja medieval glorificou a santidade da família, da vida e da Moral





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domingo, 16 de julho de 2017

A Igreja inspirou os sistemas jurídicos baseados no Direito


Luis Dufaur
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Segundo o professor de Direito Harold Berman, citado pelo Prof. Thomas E. Woods, os modernos sistemas legais "são um resíduo secular de atitudes e posições religiosas, que têm sua primeira expressão na liturgia, ritos e doutrinas da Igreja, e só depois nas instituições, conceitos e valores da Lei" ("How the Catholic Church built Western Civilization", p. 187).

A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável.

O Papa Gelásio definiu os limites da ordem temporal e espiritual.

O primeiro corpo sistemático de leis foi o Código Canônico.

O conceito de direitos individuais, que se atribui erroneamente aos pensadores liberais dos séculos XVII e XVIII, de fato deriva de Papas, professores universitários, canonistas e filósofos católicos medievais.

Veja vídeo
A Igreja medieval
preservou e generalizou o Direito
Deve-se também à Igreja o Direito Internacional. Pela influência d'Ela, os processos jurídicos e os conceitos legais substituíram os juízos dos germanos baseados na superstição.

A Revolução igualitária, que se iniciou no século XV, gerou pensadores como o filósofo britânico do século XVII Thomas Hobbes, para quem a sociedade humana é impossível sem uma espécie de despotismo.

Para ele, o soberano deveria definir o que é verdadeiro e o que é errado, isto é, agir de um modo iluminado e arbitrário.


Vídeo: A Igreja medieval preservou e generalizou o Direito




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