domingo, 13 de dezembro de 2009

Ecos ainda vivos do Natal medieval reacendem a alegria pelo nascimento do Menino Jesus

As feiras de Natal que ainda se desenvolvem em cidades alemãs, austríacas e alsacianas trazem um eco saudoso e requintado da feliz era que começou a comemorar o Natal em grande estilo: a Idade Média, noticiou a rádio “Deutsche Welle”.

Cheiro de ervas, amêndoas torradas, vinho, cravo, canela, incenso e resina de pinheiro, enfeites natalinos falam não só ao corpo mas sobre tudo à alma.

domingo, 22 de novembro de 2009

Idade Média: no início analfabetismo geral; no fim triunfo das Universidades

O esforço intelectual realizado pela Idade Média foi imenso. Para que se possa avaliar o que, em matéria intelectual, a Europa realizou durante a Idade Média, basta comparar a situação cultural em que ela se encontrava no início e no fim desse período histórico.

Barbarie e analfabetismo eram generalizados no inicio da Idade Média na Europa

É necessário voltar sempre à mesma consideração, que é fundamental no Estudo da Idade Média.

domingo, 30 de agosto de 2009

Quer fazer uma viagem pela gênese, desenvolvimento e glória da Civilização Cristã?

No auge da Idade Média, os cruzados derramaram seu sangue para libertar das mãos dos infiéis o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo e instituir um reino cristão na Terra Santa.

Hoje a situação parece invertida. São os muros em ruínas da “cidadela cristã” que importa defender contra o neopaganismo revolucionário que as assalta.

A criança por nascer é ameaçada pelo aborto; o casamento segundo a Lei de Deus é substituído pelo “amor livre” ou o “divórcio online”; a propriedade privada amparada pelos 7º e 10º Mandamentos da Lei da Deus é golpeada pelo socialismo; a cultura católica é atropelada pela Revolução Cultural.

Em síntese, os restos da Civilização Cristã são hostilizados, proscritos, demolidos. Chega-se a pregar que os católicos devem desistir da restauração dela, pois seria um sonho impossível!

São Luiz embarca para a CruzadaPorém, nesse auge do materialismo e da impiedade, uma nova geração de historiadores, arquitetos, economistas e cientistas, sobretudo nos Estados Unidos, começa a voltar-se para o estudo consciencioso do que está sendo demolido.

Nauseados pelos horrores a que nos tem conduzido a negação da Cristandade, eles constataram que a civilização ocidental jamais teria visto a luz do dia se não existisse a Igreja Católica.

Esses estudiosos têm publicado uma série de trabalhos nos quais procuram restabelecer a objetividade histórica.

Tal recuperação da verdade apresenta uma tese central: a civilização ocidental é a única que merece plenamente esse nome.

Os povos que outrora ocuparam a Europa — gregos, romanos, celtas, germanos e outros — deixaram sua contribuição. Mas a alma, o espírito, a essência da civilização européia e cristã provêm da Igreja.

E essa obra prodigiosa nasceu e se desenvolveu na Idade Média. Por isso, e só por isso, essa época é tão caluniada.

O Prof. Thomas E. Woods Jr. é um dos integrantes mais recentes dessa corrente de investigadores ("How the Catholic Church built Western Civilization", Regnery Publishing, Washington DC, 2005, 280 p.).

domingo, 5 de julho de 2009

A Igreja medieval não inventou a perseguição aos hereges

São Domingos queima livro pestilenciais, Glória da Idade MédiaDesde os primórdios do Cristianismo houve, da parte de potentados temporais, a aplicação de medidas punitivas contra hereges.(1)

Isso porque, quer no Império Romano cristão do Ocidente, quer no Bizantino, e sobretudo nas nações cristãs que foram compondo a Cristandade Medieval, a Religião Católica, sua moral, suas leis e doutrinas respondiam em muito larga medida pela urbanização e sustentação da ordem civil.(2)

Isto não era novidade. Era um conceito comum em toda a Antiguidade. E nas civilizações pagãs, inclusive as menos decadentes punham em prática esse critério com largas doses de abuso e crueldade.

A heresia afigurava-se, pois, freqüentes vezes, como uma séria ameaça à ordem civil estabelecida. Tanto mais quanto quase todas as heresias, que assolaram a Igreja e a Cristandade naqueles séculos, revestiam-se de um caráter nitidamente anarquista e anti-social.(3)

Foi assim que a iniciativa da perseguição - com o fim de aplicação de penas temporais - aos hereges não partiu da Igreja, mas da sociedade civil.

Alguns dos últimos Imperadores romanos - antes da Idade Média, portanto - desterravam hereges, confiscavam-lhes os bens, mas, via de regra, só aplicavam a pena capital aos culpados de atos de violência contra os cristãos.(4)

A ameaça à ordem civil nas nações cristãs da Idade Média, representada pelas heresias, levou muitos monarcas a tomar a iniciativa de perseguir os hereges. Notadamente as heresias neomaniquéias que se desenvolveram no sul da França, nos séculos XII e XIII - os albigenses que assolaram progressivamente quase toda a Cristandade, puseram em contínuo sobressalto reis e imperadores.(5)

São Domingos preside auto-da-féVemos, pois, um Roberto o Piedoso, Rei da França, que, no século XI, solicita insistentemente ao Papa medidas punitivas contra os hereges. Temos ainda, no século XII, Henrique, Arcebispo de Reims e irmão do Rei da França, Luiz VII, que, por instâncias deste último, se apressa a perseguir os hereges cátaros. São os próprios hereges que apelam ao Papa e dão motivo a uma carta de Alexandre III ao Arcebispo de Reims, recomendando-lhe doçura e clemência para com aqueles.

Advogando, junto ao Papa, a causa da punição dos hereges pode ser citado o próprio Rei Luiz VII, encontrando ele, porém, resistências por parte de Alexandre III.(6)

Até mesmo monarcas temporariamente em oposição à Igreja - como Felipe Augusto, da França - ou francamente hostis e excomungados - como Henrique II, da Inglaterra, responsável pelo martírio de São Tomás Becket - se puseram a perseguir, julgar e punir hereges, com a finalidade de manter a ordem civil em seus respectivos Estados

Dentre os Imperadores alemães, o péssimo Frederico Barbarroxa - que alimentou motins, expulsou o Papa de Roma, zombou das excomunhões e suscitou antipapas - bem como seu neto, Frederico II de Hohenstaufen –– dificilmente igualável em ambição e maldade, ele mesmo excomungado –– foram dos mais aguerridos perseguidores dos hereges.(7) Foi mesmo este último que, no século XIII, decretou pela primeira vez a morte dos hereges na fogueira.(8)

domingo, 21 de junho de 2009

Super-combatividade e confiança em Nossa Senhora: virtudes do Cavaleiro Templário segundo São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo instituiu a regra da Ordem dos Cavaleiros Templários. Era uma ordem de cavaleiros religiosos, com tríplice voto: da pobreza, da castidade e da obediência. Eles viviam no estado militar para a luta contra os infiéis.

São Bernardo então deu-lhes uma teoria da combatividade:

“E assim os cavaleiros carregam como um torvelinho sobre seus adversários, como se se metessem entre um rebanho de cordeiros, sem que, apesar de seu exíguo número, se intimidem ante crudelíssima barbárie e a multidão quase infinita das hostes contrárias. Aprenderam já a pôr toda a sua confiança não nas próprias forças, mas no poder do Senhor Deus dos exércitos, em que está a vitória, O qual pode, como sabemos por meio dos Macabeus, pode facilmente por meio de um punhado de valentes, acabar com multidões numerosas; e sabe libertar a seus soldados com igual arte das mãos de poucos como de muitos inimigos, porque não está o triunfo na multidão de guerreiro, mas na fortaleza para vencer, que desce do alto”.

São Bernardo aqui expõe uma teoria da confiança na guerra.

Ele figura um punhado pequeno de cavaleiros católicos que se metem no meio de adversários incomparavelmente mais fortes. Mas, apesar da ferocidade dos adversários, os cavaleiros católicos carregam como lobos no meio de cordeiros.

Hábito e armadura de templárioQuer dizer, a ferocidade do adversário não vale de nada, porque há uma super-combatividade, uma super-força bélica da parte dos católicos que lhes vem toda do Céu.

Eles sabem que eles não têm recursos, que eles são menos numerosos. Mas Deus dá uma força invencível.

Além disso, Deus também cria as circunstâncias favoráveis à luta, por meios às vezes divinamente ardilosos. Deus liberta os verdadeiros cavaleiros dos adversários que podem atacá-los.

Segue São Bernardo:

“Experiência grande têm eles dessa verdade, porque mais de uma vez lhes aconteceu derrotar e pôr em fuga o inimigo, lutando na proporção de um contra mil e de dois contra dez mil. Enfim, esses soldados de Cristo, por modo maravilhoso e singular, se mostram tão mansos como cordeiros e tão ferozes como leões, de sorte que não se sabe se chamá-los monges ou guerreiros, ou dar-lhes outro nome mais próprio, que compreenda esses dois, posto que sabem juntar a mansidão de uns com o valor e a fortaleza dos outros. Acerca de tudo o que dizer senão que tudo isso é obra de Deus e obra admirável a nossos olhos?”

Neste parágrafo, São Bernardo dá a idéia de que o cavaleiro é manso como o monge; quer dizer, ele não ataca ninguém, ele não toma iniciativa de ferir a ninguém, o seu hábito é não estar lutando contra ninguém.

Templários mongesEle é pacífico como um monge, mas posto na luta, ele é feroz como um leão.

Então, pergunta São Bernardo, o que é que se deve dizer dele? Deve-se chamá-lo leão, ou deve-se chamá-lo monge?

Diz ele: mais do que isso, é o monge-leão, ou o leão-monge. Quer dizer, o guerreiro que é o homem que se fez frade para ser guerreiro. Tem então a mansidão do Cordeiro de Deus ‒ Nosso Senhor Jesus Cristo é chamado na Escritura, tantas vezes, de Cordeiro de Deus ‒, mas também tem a combatividade invencível do Leão de Judá, título de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Bernardo prossegue:

“Eis aqui homens fortes que o Senhor foi escolhendo desde um confim do mundo até outro, entre os mais bravos da Igreja, para torná-los soldados de sua escolta, a fim de que guardassem o leito do verdadeiro Salomão, quer dizer, o Santo Sepulcro, e ao redor do qual os pôs para que estejam alertas como sentinelas fiéis, armados de espada e habilíssimos, nas artes da luta”.

domingo, 12 de abril de 2009

Por quê decaiu a Idade Média?


No século XIV começa a observar-se, na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez.

O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia.

As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas. Os homens se preocupam sempre mais com elas.

Nos trajes, nas maneiras, na linguagem, na literatura e na arte o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.

Há um paulatino deperecimento da seriedade e da austeridade dos antigos tempos. Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo.

Os corações se desprendem gradualmente do amor ao sacrifício, da verdadeira devoção à Cruz, e das aspirações de santidade e vida eterna.

Cavalaria se torna amorosa e sentimentalA Cavalaria, outrora uma das mais altas expressões da austeridade cristã, se torna amorosa e sentimental, a literatura de amor invade todos os países, os excessos do luxo e a conseqüente avidez de lucros se estendem por todas as classes sociais.

Tal clima moral, penetrando nas esferas intelectuais, produziu claras manifestações de orgulho, como o gosto pelas disputas aparatosas e vazias, pelas argúcias inconsistentes, pelas exibições fátuas de erudição, e lisonjeou velhas tendências filosóficas, das quais triunfara a Escolástica, e que já agora, relaxado o antigo zelo pela integridade da Fé, renasciam em aspectos novos.

O absolutismo dos legistas, que se engalanavam com um conhecimento vaidoso do Direito Romano, encontrou em Príncipes ambiciosos um eco favorável.

E pari passu foi-se extinguindo nos grandes e nos pequenos a fibra de outrora para conter o poder real nos legítimos limites vigentes nos dias de São Luís de França e de São Fernando de Castela.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, "Revolução e Contra-Revolução", Artpress, São Paulo).

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Luz de Cristo nos restos de tradições medievais

Catedral de Lichfield
Tradição vem de tradere, que é transmitir. A tradição é a transmissão que vem do passado.

Mas a tradição não é para nós o que é, por exemplo, para o índio. O hábito de usar cocar, aquela coisa toda, no índio é tradição. Para nós tradição não é isso só.

Pela tradição, nós recebemos no fundo da alma um lampejo da Igreja, um luzimento da Luz de Cristo, ou Lumen Christi.

A Igreja é para nós uma espécie de Céu na Terra. Olhando-a e contemplando-a, a gente se sente convidado para entrar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

Tudo quanto é medieval e que estava nessa linha –é a nota tônica da Idade Média – está impregnado dessa luz.

A sociedade medieval, mesmo nos seus aspectos temporais mais infimos, tocando até no prosaico, tinha algo do Céu na Terra.

Mont Saint-MichelPor isso uma ogiva, um vitral, uma torre de castelo, uma batalha, a armadura de um cavaleiro, etc., etc., parecem ter algo de celeste.

A Idade Média expirante deixou, entretanto, veios disso.

Esses veios a Revolução igualitária e sensual foi extenuando e empobrecendo, empobrecendo, empobrecendo, até nossos dias.

Porém, essa cintilação do Céu brilhando na Cristandade é a única influência que pode criar o ambiente plenamente adequado e próprio ao homem, aonde ele se sente aconchegado e elevado.

Esse brilho não é o único alimento para a vida espiritual: há em primeiro lugar os sacramentos.

Mestre pedreiro e aprendiz. Catedral de Chartres, vitral de São SilvestreMas, para viver a vida terrena com espírito de Fé precissamos do alimento desse Lumen Christi que recebemos por obra da graça através da ordem cristã, a Cristandade.

Ele é tão necessário para a alma, que se o homem se desinteressa desse Lumen Christi na ordem temporal para se ocupar só de sua vida espiritual individual, ele se auto-liquida.

A Idade Média foi para nós um exemplo palpável dessa impregnação, dessa presença palpável da Luz de Cristo, ou Lumen Christi, não só na hora de ir à igreja, mas em todos os momentos da existência das pessoas, das famílias, das cidades, das regiões e das nações.

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domingo, 4 de janeiro de 2009

A placidez operosa do copista


Um medieval está copiando certo livro. Deveria ser desses copistas profissionais, dos quais alguns eram artistas verdadeiros.

Sentado numa mesa junto à janela, ele está vestido com uma roupa que podemos imaginar de cor entre marrom e preto, ampla, na qual se percebe que ele se movia completamente à vontade, e que o agasalhava bem.

À sua direita, uma janela com vidros de fundo de garrafa, tal vez de cor verde, um pouco dado ao claro, fechada de tal maneira que a luz penetrava da direita para a esquerda, portanto iluminando o trabalho como deveria fazê-lo.

Ele, sentado com rosto plácido, escreve com uma pena de pato grande.

E o copista faz tranqüilamente seu trabalho; um trabalho belo, para o qual — percebe-se — ele tem habilidade.

Sem pressa, sem angústia, sem cansaço. Vê-se que está ali sumamente entretido. Ganhando a vida e entretido.

Mas entretido com o quê? Com aquele ambiente que exprimia determinados valores morais.

Por exemplo, o seguinte valor: placidez operosa. A placidez em si é uma qualidade moral.

Uma placidez operativa reúne duas perfeições opostas — porque aparentemente a placidez é o contrário da ação — mas harmônicas.

Não tem noção de que o dia se passou extraordinariamente bem. Para ele foi um dia normal. Essa normalidade não foi deliciosa, foi apenas deleitável.

A diversão e o prazer são uma exceção na vida. O normal é essa deleitabilidade de cada dia.

É o verdadeiro entretenimento da normalidade, da tranqüilidade, da placidez.

(Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008, p. 50.)

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