domingo, 16 de novembro de 2008

O Ângelus nos mares da Sicília

Nossa Senhora de Buenos Aires
Há costumes católicos que sem terem sido recolhidos de fontes medievais, contudo estão impregnadas do espírito que caracterizou aquela ‘doce primavera da Fé’. Eis um exemplo, contado pelo talentoso Alexandre Dumas.

O dia se tinha escoado em meio a exaustivos cuidados para evitar o naufrágio, e a noite começava a descer. Aproximávamo-nos de Messina, e eu me lembrava da previsão do piloto, que nos havia anunciado que duas horas após a Ave-Maria teríamos chegado ao nosso destino.

Isso me recordou que desde nossa partida eu não havia visto nenhum dos nossos marinheiros cumprir ostensivamente os deveres da Religião, que no entanto os filhos do mar consideram sagrados.

Havia mais: uma pequena cruz de oliveira incrustada de nácar, semelhante àquelas que os monges do Santo Sepulcro fazem e os peregrinos trazem de Jerusalém, havia desaparecido de nossa cabine, e eu a havia reencontrado na proa da embarcação, acima de uma imagem da Madonna di Pie’ di Grotta, sob a invocação da qual nossa pequena embarcação estava colocada.

Depois de me ter informado se havia um motivo particular para mudar a cruz de lugar, e ter sabido que não, eu a retomei de onde estava e a levei à cabine, na qual ficou desde então. Estava claro que a Madonna, agradecida sem dúvida, nos protegera na hora do perigo.

Nesse momento eu me virara, e percebi o capitão próximo a nós.
– Capitão - disse-lhe - parece-me que em todos os navios napolitanos, genoveses ou sicilianos, quando vem a hora da Ave-Maria, se faz uma prece em comum. Não é esse o seu hábito a bordo do Speronare?
– De fato, Excelência, de fato! – respondeu vivamente o capitão – E devo esclarecer que estamos embaraçados por não o podermos fazer.
– Mas o que o impede?
– Desculpe-me, Excelência, mas como nós conduzimos com freqüência ingleses que são protestantes, gregos que são cismáticos e franceses que não são nada, temos sempre receio de ferir a crença ou de excitar a incredulidade de nossos passageiros pela vista de práticas religiosas que não serão as deles. Mas quando os passageiros nos autorizam a agir cristãmente, somos muito agradecidos a eles por isso. De sorte que, se o permite...
– Como não, capitão! Eu lhes peço, e se quiserem podem começar em seguida; parece-me que já está próximo das dezoito horas...

Virgem de Buenos AiresO capitão tirou seu relógio, e vendo que não havia tempo a perder, anunciou em voz alta:
– A Ave-Maria!

A estas palavras, cada um saiu das escotilhas e lançou-se no convés. Mais de um, sem dúvida, já havia começado mentalmente a Saudação Angélica, mas a interrompeu para vir tomar parte na prece geral.

De um extremo ao outro da Itália, essa oração, que cai em uma hora solene, encerra o dia e abre a noite.

Esse momento do crepúsculo, em toda parte cheio de poesia, no mar se acresce de uma santidade infinita.

Essa misteriosa imensidade do ar e das ondas, esse sentimento profundo da fraqueza humana comparada ao poder onipotente de Deus, essa escuridão que avança, e durante a qual o perigo sempre presente vai ainda crescer, tudo isso predispõe o coração a uma melancolia religiosa, a uma confiança santa que soergue a alma nas asas da fé.

Por do sol Terrasini, SiciliaEssa tarde sobretudo, o perigo do qual acabáramos de escapar, e que nos era lembrado de tempos em tempos por uma onda encapelada ou rugidos longínquos, tudo inspirava à tripulação e a nós um recolhimento profundo.

No momento em que nos juntávamos no convés, a noite começava a tornar-se mais espessa no oriente.

As montanhas da Calábria e a ponta do cabo de Pelora perdiam sua bela cor azul para se confundir em uma tintura acinzentada que parecia descer do céu, como se estivesse caindo uma fina chuva de cinzas.

A ocidente, um pouco à direita do arquipélago de Lipari, cujas ilhas de formas extravagantes destacavam-se com vigor sobre um horizonte de fogo, o sol alargado e listrado de longas faixas violetas começava a embeber a orla de seu disco no Mar Tirreno, que, cintilante e movimentado, parecia rolar ondas de ouro fundido.

Santa Maria do MarNesse momento o piloto levantou-se atrás da cabine e tomou em seus braços o filho do capitão, que pôs de joelhos sobre o estrado.

Abandonando o leme, como se a embarcação estivesse suficientemente guiada pela oração, sustentou o menino para que o balanço não lhe fizesse perder o equilíbrio.

Esse grupo singular destacou-se logo sobre um fundo dourado, semelhante a uma pintura de Giovanni Fiesole ou de Benozzo Gozzoli. Com uma voz tão fraca que apenas chegava até nós, e que entretanto subia até Deus, começou a recitar a prece virginal, que os marinheiros escutavam de joelhos, e nós, inclinados.

Eis uma dessas lembranças para as quais o pincel é inábil e a pena insuficiente; eis uma dessas cenas que nenhuma narração pode descrever, nenhum quadro pode reproduzir, porque a sua grandiosidade está inteira no sentimento íntimo dos atores que a realizam.

Para um leitor de viagens ou um amador das coisas do mar, será apenas uma criança que ora, homens que respondem e um navio que flutua. Mas para qualquer um que tiver assistido a uma cena assim, será um dos mais magníficos espetáculos que ele tenha visto, uma das mais magníficas lembranças que ele tenha guardado. Será a fraqueza que reza, a imensidade que olha, e Deus que escuta.

(Fonte : Alexandre Dumas, « Le Speronare », Calmann-Lévy, Éditeurs; Paris, 1888, T. I, pp. 111 a 114.)
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domingo, 26 de outubro de 2008

Largueza de vistas: uma virtude do cavaleiro

Sagração de um cavaleiro
“Em todas as suas ações, diz o autor de “l’Entrée em Espagne”, o cavaleiro deve se propor um duplo fim: a salvação de sua alma e a honra da Igreja da qual ele é o guardião.

“Sustentar a Cristandade é um termo que aparece freqüentemente em nossos velhos poemas, e que exprime bem o que quer dizer”.

“Quando o jovem deixa a casa paterna, a última palavra que a mãe lhe dirige é para lembrá-lo deste augusto dever: “Serve a Jesus Cristo e a Santa Igreja”.

(Fonte: Leon Gautier – “La Chevalerie”)

domingo, 19 de outubro de 2008

Invenção “sui generis” de um monge e Papa: o zero

Monumento ao Papa Silvestre II, Aurillac, França

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O Ocidente latino apresenta um certo número de sábios que recolheram e propagaram as ciências matemáticas tais como as haviam elaborado os antigos gregos e os hindus, e as aperfeiçoaram os árabes.

Dentre eles foi célebre Gerbert, monge da abadia de Aurillac na França que, depois de ter aprendido em Barcelona com mestres árabes, tornou-se primeiramente professor em Reims, onde ensinou as ciências exatas; depois arcebispo de Reims e de Ravena; e por fim, papa sob o nome de Silvestre II (946–1003).

Ele compôs uma aritmética (regula de abaco computi), um tratado da divisão e uma geometria.

Atribui-se-lhe uma invenção que nos pareceria hoje muito simples e que, entretanto, transformou o estudo dos matemáticos proporcionando-lhes os maiores progressos: o zero.

Esta cifra que a Antigüidade clássica não conhecia, simplificou os cálculos e tornou facílimas as operações aritméticas. No século XI, o emprego do zero era já universal.

(Fonte: Jean Guiraud, “Histoire Partiale, Histoire Vraie”)


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domingo, 3 de agosto de 2008

Papel da família na gestação da Cristandade

Brunwart von Augheim, Codex Manesse, Glória da Idade Média“Por toda parte a civilização começou pela família. Aqui e ali nascem homens nos quais se desenvolvem e atuam mais poderosamente o amor paterno e o desejo de se perpetuar nos seus descendentes.

“Eles se dedicam ao trabalho com mais ardor, impõem aos seus apetites um freio mais contínuo e mais sólido, governam sua família com mais autoridade, inspiram-lhe costumes mais severos, que eles imprimem nos hábitos que a fazem contrair.

“Esses hábitos se transmitem pela educação, e se tornam tradições que mantêm as novas gerações na via aberta pelos ancestrais.

“A marcha nessa via conduz a família a uma situação cada vez mais alta. Ao mesmo tempo, a união que conservam entre si todos os ramos do tronco primitivo lhes dá uma pujança que cresce dia a dia, com o número que se multiplica e as riquezas que se acumulam pelo trabalho de todos.

“Nessa situação eminente, esta família torna-se o centro de atenção daquelas que a circundam. Estas lhe pedem abrigo e proteção, e em contrapartida prometem assistência.

Familia von Kurneberg, Glória da Idade Média"Entre eles há os que se sentem estimulados pela prosperidade que presenciam, e a ambicionam para si mesmos, deixando-se governar e instruir, esforçando-se por praticar as virtudes cujos exemplos e resultados eles têm diante dos olhos....

“No caso da França, em meio às ruínas acumuladas pelas invasões dos bárbaros [principalmente dos normandos e magiares a partir do século X], não havia mais ordem, porque não havia mais autoridade.

“Sob a ação dos santos, várias famílias se ergueram, animadas pelos sentimentos que o cristianismo começava a difundir no mundo: sentimentos de devotamento pelos pequenos e os fracos, sentimentos de concórdia e amor entre todos, sentimentos de reconhecimento e de fidelidade para com os protegidos.

“A hagiografia dessa época nos faz assistir por todo lado a esse espetáculo de famílias que se erguem desse modo acima das outras, pela força das suas virtudes.

Carlos IV e rainha esposa de Carlos V, Idade Media“Acima de todas se ergueu, no século X, a família de Hugo Capeto, que edificou a França pela paciência do seu espírito, pela perseverança do seu devotamento, pela continuidade dos seus serviços.

“É necessário acrescentar: `E pela vontade e a graça de Deus'. Quando o Conde de Maistre ressaltou a frase da Sagrada Escritura `Sou Eu que faço os reis', ele não deixou de acrescentar: `Isto não é uma metáfora, mas uma lei do mundo político. Ao pé da letra, Deus faz os reis. Ele prepara as raças reais, e as amadurece em meio a uma nuvem que esconde as suas origens. Assim elas aparecem coroadas de glória e honra'”.

(Fonte: Mgr. Henri Delassus, L'Esprit Familial dans la Maison, dans la Cité et dans l'État, Société Saint-Augustin, Desclée, De Brouwer, Lille, 1910, pp. 11-21).
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quarta-feira, 30 de julho de 2008

O milagre que deu o nome de São Miguel ao Castel Sant'Angelo

Em 590 Roma foi alagada por uma enchente do rio Tibre. Estorou a peste. A cidade perecia. Mas, o Papa era um santo. Mandou fazer uma procissão septiforme. As pessoas morriam durante a procissão e desanimavam. O Santo mandou seguir em frente. Subitamente ouviu-se no Céu, um cântico até então desconhecido... Clique e saiba o que houve.

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domingo, 27 de julho de 2008

Os filhos de São Bento

São Bento entrega a Regra a São Mauro, Glória da Idade Média
Os resultados da obra de São Bento foram imensos. Tanto em vida como depois de sua morte, multidões de filhos das mais nobres raças da Itália e a elite dos bárbaros convertidos acorrem a Monte Cassino.

Depois eles daí saem, e descem para se espalhar por todo o Ocidente: missionários e trabalhadores, que virão logo a ser os doutores e os pontífices, os artistas e os fundadores de instituições, os historiadores e os poetas da nova sociedade.

Eles vão propagar a paz e a Fé, a luz e a vida, a liberdade e a caridade, a ciência e a arte, a palavra de Deus e o gênio do homem, as Santas Escrituras e as obras de arte, no meio das províncias desesperadas do império destruído, e até o fundo daquelas regiões selvagens que, a grande custo, se conseguiram salvar da destruição dos bárbaros.

São Bento, Lisieux, Glória da Idade MédiaMenos de um século depois da morte de São Bento, tudo o que a barbárie havia conquistado sobre a civilização é reconquistado. Além disso, esses filhos de São Bento se apressam a ir pregar o Evangelho até em rincões nos quais os primeiros discípulos de Cristo não puderam chegar.

Depois da Itália, Gália e Espanha retomadas do inimigo, a Grã-Bretanha, a Germânia e a Escandinávia vão ser uma a uma invadidas, conquistadas e incorporadas à Cristandade. O Ocidente está salvo. Um novo império é fundado. Um novo mundo começa.

Vinde agora, ó bárbaros! A Igreja nada tem a vos temer. Reinai onde quiserdes, a civilização não fugirá de vós. Antes, sois vós que defendereis a Igreja e refareis a civilização.

Vós vencestes tudo, conquistastes tudo, revirastes tudo. Sereis por vossa vez vencidos, conquistados e transformados. Já nasceram os homens que serão vossos mestres.

Eles tomarão vossos filhos, e até filhos de reis, para os juntar a seu exército. Tomarão vossas filhas, vossas rainhas, vossas princesas, para as prender em seus monastérios.

St Benoît-sur-Loire, Glória da Idade MédiaA obra não será curta nem fácil. Mas eles chegarão à meta. Eles dominarão os povos novos, mostrando-lhes o ideal da santidade, da grandeza, da força moral.

Eles os farão instrumentos do bem e da verdade. Ajudados por esses vencedores de Roma (os bárbaros), eles levarão o império e as leis de uma nova Roma muito além das fronteiras que o senado fixou ou que os Césares imaginaram.

Eles irão vencer e benzer, lá onde não penetraram nem as águias romanas nem mesmo os apóstolos. Eles serão os benfeitores de todas as nações modernas.

Serão vistos, ao lado dos tronos de Carlos Magno, de Alfredo, de Othon o grande, criarem com eles a realeza cristã e uma sociedade nova.

Enfim, eles subirão com São Gregório Magno e São Gregório VII até a Sé Apostólica, de onde presidirão, durante séculos de luta e de virtude, os destinos da Europa Católica e da Igreja.

(Fonte: Montalembert, “Les moines d’Occident” - 1878, t. II, p. 74)

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Pode nascer uma abadia "medieval" em pleno século XXI nas Américas?


A resposta é positiva segundo os estudantes da Universidade de Kansas que fundaram uma abadia em Clear Creek, nos EUA, para re-editar a influência dos mosteiros medievais, agora visando a gestação de uma nova Civilização Cristã.

Como? Veja aqui.

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sábado, 19 de julho de 2008

A história do rapaz estrangulado pelo demônio

Demônio e Anjo da Guarda no Juízo Final, Notre DameDois estudantes combinaram ir a uma casa de perdição. Um deles, porém, desistiu no último momento. Antes de dormir rezou três Ave-Marias. Era um costume de família.

Assim que deitou, ouviu umas pancadas na porta, e viu seu infeliz companheiro morto que lhe falava, e disse:

O que houvera?

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Papa Bonifácio VIII: superioridade dos Papas sobre os reis

Túmulo de Bonifácio VIII, Florença"O Evangelho nos ensina que há na Igreja e no poder da Igreja dois gládios: o espiritual e o temporal.

"Quando os Apóstolos disseram: “Temos aqui dois gládios" – aqui, isto é, na Igreja – o Senhor não respondeu: “É demasiado”. Pelo contrário, respondeu: “isto basta”.

"Por certo, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a palavra do Senhor que disse: “Recoloca tua espada na bainha”.

"Portanto, um e outro gládio estão no poder da igreja, o espiritual e o temporal; mas este deve ser tirado para a Igreja, aquele pela Igreja; um pela mão do sacerdote, o outro pela mão dos reis e dos soldados, mas com o consentimento e o beneplácito do sacerdote.

"Contudo, é preciso que o gládio esteja subordinado ao gládio; a autoridade temporal ao poder espiritual, porquanto diz o Apóstolo: “Não há poder que não venha de Deus, mas os que existem foram instituídos por Deus”; ora, esta ordem não existiria se um dos dois gládios não estivesse subordinado ao outro, e, enquanto seu inferior, ligado por ele à categoria suprema, pois segundo São Dionísio: “A lei da divindade é que as coisas inferiores devem estar ligadas às superiores pelos intermediários”.

Bonifácio VIII, Agnani"Devemos reconhecer que o poder espiritual supera em dignidade e em nobreza todo poder temporal, tanto mais evidentemente quanto as coisas espirituais superam de muito as coisas temporais.

"Cabe ao poder espiritual instituir o temporal e julgá-lo caso não seja bom. Verifica-se, assim, atinente à Igreja e ao poder eclesiástico, o oráculo de Jeremias: “Eu vos constitui sobre as nações e sobre os reinos, etc.”.

"Se, portanto, o poder temporal se desvia, ele será julgado pelo poder espiritual; se o poder espiritual desvia-se, o inferior será julgada pelo superior, e se é o poder superior, só por Deus. Ele não poderá ser julgado pelo homem, como atesta o Apóstolo: “O homem espiritual julga todas as coisas e não é julgado por ninguém”.

Fonte: Bula Unam Sanctam, apud Marie-Hippolyte Hemmer, verbete Boniface VIII, in “Díctionnaire de Théologie Catholique”, Tomo II, col. 999s.

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Canção de Rolando (6º) : O conde Olivier entrega sua alma a Deus

O conde Olivier entrega su alma a Deus, Canção de RolandFerido, o bom e sábio conde Olivier caiu no chão.

Sintindo a morte se aproximar, ele fez a confissão de seus pecados, juntou as mãos em direção ao Céu pedindo a Deus que lhe abrisse as portas do Céu, que abençoasse o santo imperador Carlos Magno e à doce França...

Ouça o pranto de Roland.


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Significado do sorriso por trás da força das colunas góticas

As colunas góticas encerram muitos ensinamentos da sabedoria católica medieval. Suas colunas são fortes, quase esmagadoras. Mas, sorriem para quem sabe olhá-las. Por quê?

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Quando reis, cardeais e Papas disputavam em piedade. A origem do "Vinde Espírito Santo"

Roberto II o Piedoso, Grandes Chroniques de France, século XV, ©BNF
Na Idade Média houve de tudo. Mas com uma diferência essencial com as outras épocas. Houve chefes de Estado - monárquicos, aristocráticos ou democráticos - que disputavam em virtude até com cardeais e Papas. O caso do hino "Vinde, Espírito Santo" serve de exemplo.

Ouça-o e veja os que disputam a autoria.

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

São Bernardo: "eu vou executar esse criminoso com minhas próprias mãos!"

São Bernardo de Claraval aos pés de Nossa Senhora. Heiligkreutztal, Andreas PraefckeO famosíssimo São Bernardo de Claraval cruzou com um cortejo que levava um bandido ao patíbulo. Vendo o Santo os presentes acharam que ele pediria clemência.

São Bernardo voltou-se para os verdugos e disse para surpresa de todos:
— Entregai-me este criminoso, e executá-lo-ei com as minhas próprias mãos.

Imagine no que é que acabou a história, e confira o inesperado resultado clicando aqui.

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Nobres e vassalos num relacionamento de pai para filho

Homenagem dos ganteses a Luis de MaleApós a queda do Império Romano, os bárbaros e os maometanos invadiram sucessivamente a Europa. Eles matavam os trabalhadores manuais ou os reduziam a escravos.

Então, os camponeses pediam aos patrões para recebê-los na casa deles. E os patrões de pena deles e achando que era justo protegê-los, pois eram católicos, começaram a construir em torno de suas casas recintos muito grandes com muralhas de pedra.

Em cima das muralhas, instalaram um passadiço por onde os guerreiros podiam ver de longe. Se viam chegar os invasores, eles batiam um sino e todos os homens vinham guarnecer a parte alta da muralha.

De cima, eles atiravam flechas ou esperavam que os atacantes subissem em escadas. Quando a escada estava cheia de atacantes, eles pegavam a ponta da escada apoiada na muralha e jogavam no chão. Eles jogavam também água fervendo.

muralhas de CarcassonneOs patrões, aos poucos, construíram torres e portas fortificadas. A porta era especialmente preparada com toras de madeira ligadas por placas de metal. No teto da porta eles punham frestas e em cima tachos com fogueiras que eles acendiam óleo ardente.

Quando os invasores entravam, dessas frestas caía óleo em ebulição, e com isso eles continham a invasão.

Eles fizeram também grades que desciam por máquinas. Limar as grades com óleo caindo o tempo inteiro junto era impraticável. Em última análise a casa do senhor ficava fortificada.
A casa do patrão deixou de ser exclusivamente dele para ser um enorme braço paterno segurando em torno de si toda a população local.

Para construir tudo isso era preciso ter cabeça. Os patrões naturalmente tinham, os empregados não tinham. Quem dirigia a defesa era o patrão. Depois, o patrão era homem de combate, porque em época de paz quem matava as feras que haviam no mato para os camponeses trabalharem livremente eram os patrões.

Em época de paz, os patrões viviam em luta contra javalis e animais selvagens de toda ordem das florestas profundas da Europa. Os empregados não eram homens de guerra, eles eram homens de trabalho. Os patrões no tempo de guerra comandavam porque sabiam como dirigir uma guerra e eles não sabiam. Então as relações entre patrões e empregados acabaram sendo relações de pais e filhos inteiramente.

Capela do castelo de Lourdes, Idade MediaNo centro dos castelos havia a jóia e o tesouro: a capela. Um padre, ou, às vezes, dois ou três, celebravam missa todos os dias e davam comunhão. Durante o ataque, os capelães não podiam combater, porque era missão deles não usar as armas, mas eles estavam junto aos defensores incitando: "Coragem, Deus o quer!"

Mostravam um crucifixo e iam para frente. "Vamos salvar a cruz"! Os homens do povo iam todos. O senhor feudal ia à frente, com espada, couraça, elmo, montando a cavalo.

Ele era o chefe e o pai daquele povo.

Como é que isso nasceu? Alguém fez um bonito plano? Não!

Foi espontaneamente, as circunstâncias obrigaram a que isso fosse assim. Assim nasceu na era medieval a maior parte dos castelos da Europa.

Castelo de HirschhornCastelos com altas torres e muralhas, lindas portas. No centro do castelo a torre de menagem, mais alta do que todas, e de onde eles podiam soltar pombos correio para avisar aos aliados: "Nós estamos sitiados venha nos ajudar."

Dessa torre partiam subterrâneos para lugares onde os donos e os empregados podiam fugir, caso estivessem perdendo a batalha em cima, porque os subterrâneos percorriam uma zona grande e iam abrir lá longe onde o adversário nem imaginava que abrisse. Essa defesa os empregados deviam aos patrões.

Isso criou uma mudança radical nas relações dos patrões com os empregados.
Antes das invasões havia apenas o patrão e o empregado.

Depois, o empregado ficou dependendo da direção do patrão para fazer uma guerra de defesa eficaz. E o patrão ficou chefe militar, não apenas o chefe econômico. Era portanto, muito mais admirado e respeitado do que um simples chefe civil.

Ele passou a ser uma espécie de reizinho do lugar: o senhor feudal do lugar.

Roupas e costumes da Normandia medievalÉ natural que o senhor feudal do lugar se traje melhor, tome uma melhor educação, coma melhor, enfim, se esplendorize e enriqueça.

Por essa razão eles passaram a ser os chefes respeitados, os nobres. Enquanto o operário, o camponês e o trabalhador manual ficaram plebeus. Não tinham os sinais externos esplendorosos, mas tampouco tinham as obrigações complicadas e dolorosas dos nobres. A diferença entre as duas classes se fez normalmente.

O nobre foi produto de uma germinação local e que deu na linda nobreza européia.

No Brasil, coisa análoga se deu nos tempos da evangelização e conquista do país para a civilização em torno das primeiras fazendas e engenhos.

Plinio Correa de Oliveira, sem revisão do autor.

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domingo, 22 de junho de 2008

O primeiro cavaleiro: São Miguel Arcanjo. A cavalaria é a sucessora terrestre da milícia angêlica


O pensamento da Idade Média está penetrado em todas suas partes por crenças religiosas. De um modo análogo está embebido do ideal cavalheiresco, i. é, do pensamento daquele grupo que vive na esfera da corte e da nobreza. As crenças religiosas estão postas a serviço deste ideal.

O feito de armas do arcanjo São Miguel contra Lucifer foi ‘a primeira batalha de uma proeza que jamais conseguiu ser igualada’.

O arcanjo é o antepassado da cavalaria, que, como ‘milice terrienne et chevalerie humaine’

A cavalaria é a sucessora terrestre do exército dos anjos em torno do trono do Senhor.

Fonte: Johan Huizing, “El Otoño de la Edad Media”, Revista de Occidente, S.A. Madrid, 1965, 6ª. ed., p. 101.



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